01 Junho 2012

Convite - Palestra com Prof.ª Dr.ª Aurea Zavam

O Grupo Cataphora convida toda a comunidade acadêmica para a palestra “Tradições discursivas: contribuição para a história da língua e dos textos”, que será ministrada pela Prof.ª Dr.ª Aurea Zavam (UFC). A palestra ocorrerá no dia 21 de junho de 2012, às 18h, na Sala de Vídeo Newton Lopes (CCHL - UFPI). Contamos com sua presença!
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11 Maio 2012

É MUITA IMPRECISÃO (Sírio Possenti)

É MUITA IMPRECISÃO
(Sírio Possenti)

As questões em torno das línguas envolvem ramificações diversas. Estão implicados problemas sociais, históricas, culturais, morais, políticos. Ideológicos, portanto, em grande medida. Acrescente-se uma tradição que tem força desproporcional. Não propriamente a tradição, mas a representação imaginária da língua a que ela induz. Simplificando, acredita-se geralmente que a língua antiga é sempre melhor que a atual, mesmo quando é fácil provar que todas as épocas repetiram a mesma ladainha contra a decadência.
Em nenhum setor da vida social este tipo de argumento tem tanta força. Basta verificar como as sociedades tratam outros domínios. Veja-se a aceitação relativamente tranquila de novos hábitos (vida sexual mais livre), de novos objetos de consumo (TV, celulares, novos tipos de roupa) e de novas realidades (tipos de família e de trabalho).
É claro que há diferenças notáveis nas diversas sociedades. Basta lembrar os debates sobre “imposições” relativas às vestes das mulheres árabes, notadamente sobre a obrigação de cobrir o rosto. Mas vale lembrar os debates sobre o biquíni e suas variações, ou sobre a minissaia, há cerca de 60 anos. E quem hoje usa jeans em qualquer ocasião não tem ideia do que esta roupa significou nas décadas de 60 – 70 do século passado.
É por causa de vieses culturais ou ideológicos que fatos que parecem novos causam reações iradas. Discute-se “presidenta” (e casos conexos, como o tratado aqui na semana passada) como se a língua fosse imutável. Não se vê que ela está mudando diante de nós. Pior: apela-se para um catálogo (a gramática) mesmo nos casos em que ele contradiz o senso comum (ligado àquela tradição imaginária) e avaliza formas que muitos pensam que estão sendo inventadas.
Este é um lado da questão: as ideologias se manifestam claramente (às vezes, rugem, ameaçam) diante de qualquer novidade, ou do que parece ser uma. Mas há também outras questões, aparentemente menores, e que por isso raramente são discutidas. A principal razão é que demandam alguma especialização, embora não muita. Supõem alguma leitura, em certos casos. Mas, em outros, bastaria que a apostila da quinta série tivesse sido lida corretamente.
Dou dois exemplos.
Está no ar uma propaganda que pode ser resumida assim: um padre chega a um posto de gasolina, é recebido por um funcionário que lhe pede que benza algumas coisas, da loja de conveniência mais do que propriamente aos serviços ligados ao carro. O padre pergunta se pode benzer também a bomba de gasolina. Ao que o funcionário retruca: – Não, padre. Gasolina batizada, só no posto do outro lado da rua.
O redator do texto passou de benzer para batizar aparentemente sem se dar conta  da radical diferença entre essas palavras. O que é mais relevante é que “batizar” adquiriu uma conotação de impureza (gasolina batizada é gasolina à qual se adicionou algum ingrediente que a torna menos pura, por exemplo). Deve ser a expansão de uma metáfora mais básica, que implicava alguma mistura de água (afinal, é com água que se batiza). Lembro-me de ter ouvido falar em leite batizado, na minha infância, o que queria dizer que alguém tinha acrescentado água ao leite. O dicionário Houaiss registra esta acepção: “adulterar (líquido), misturando-lhe outro líquido (p. ex. água)”. Seu exemplo é “batizar um vinho”.
O segundo caso tem a ver com a forma como foi noticiada a lei aqui comentada na semana passada. A Folha de S. Paulo (Painel, 12/04/2012), tratou como “flexão do sexo da pessoa diplomada” as formas que devem constar nos diplomas. Ora, não existe flexão de sexo. Só de gênero. O que acontece – e isso pode explicar o erro do jornal – é que  há casos em que existe  uma relação clara entre gênero gramatical e sexo biológico: menino é tanto uma palavra masculina (gramática) quanto se refere a jovens machos da espécie humana (biologia); juíza é tanto uma palavra feminina (gramática) quanto designa uma mulher que segue certa carreira (biologia). Etc. A lei afeta o gênero, e não o sexo da palavra que vai para os diplomas. Falar de gênero em vez de falar de sexo até pode estar de acordo com uma forte tendência cultural. Mas falar de sexo em lugar de gênero (gramatical) é só um erro.
São detalhes? Pode ser. Acontece que erros análogos, conforme o campo, derrubam um avião ou fazem explodir carros exatamente num posto ou podem provocar a troca de um órgão a ser extirpado numa cirurgia.
***  
PS – Depois de concluído este texto, deparei-me com a seguinte historinha, publicada em “Tiroteio”, depois das notas do Painel da Folha de 14/04/2012): “Meu dentista hoje, lendo o jornal, me cobrou por não ter tido a ideia genial de apresentar um projeto de lei de tal importância, porque ele sempre sonhou em ser chamado de dentisto”. A declaração é do senador Aécio Neves, ironizando a lei que obriga instituições de ensino a emitirem diplomas e títulos com a flexão de gênero do agraciado, informa o jornal.
O texto mereceria diversos comentários. Faço dois: a) a Folha tratou corretamente da questão desta vez: flexão de gênero; b) o dentista de Aécio Neves – e talvez o próprio senador, que, tudo indica, avalizou sua posição  – deve ter faltado às aulas sobre gênero. O erro mais elementar que se pode cometer em relação a este tema é supor que haja flexão de masculino em português. Qualquer que seja o final da palavra, ele não tem nada a ver com marca de gênero masculino! É simples estultícia propor formas hipotéticas como *presidento, *dentisto e *crianço, qualquer que seja a posição ideológica do bípede.
São fatos: a) algumas palavras – tipicamente relativas a seres vivos – podem ter flexão de feminino (como menino – menina); b) em algumas duplas, a forma feminina não é flexão da masculina (boi – vaca; homem – mulher); c) eventualmente, há formas femininas que são flexões de masculinas sem que haja qualquer relação com sexo (bolso – bolsa; saco – saca); c) algumas palavras referem-se tanto a indivíduos masculinos quanto a femininos, independentemente de seu final (criança é sempre gramaticalmente feminina). Em suma: se houver flexão, a forma feminina recebe o morfema –a (existem formas alternativas, raras, como atriz, poetisa). Mas simplesmente não há flexão de masculino em português. *Dentisto é uma aberração.
É verdade que crianças (!) podem achar que o masculino de “princesa” é “princeso”. Mas elas podem apelar para dois argumentos em sua defesa: a) são crianças; b) as formas masculina e feminina (príncipe / princesa) não são uma dupla morfológica. Espero ter o direito de acreditar que Aécio e seu dentista perderam os dentes de leite.
Oxalá o dentista de Aécio não pense que os caninos do senador são de fato dentes de cachorro. E que não proponha que Aécio mude seu nome para Oécio, achando que o início é um artigo feminino.
Eu me pergunto como foi possível que tamanha burrice tenha atacado, no mesmo dia, dois cidadãos portadores de diploma de curso superior.  
(http://terramagazine.terra.com.br/blogdosirio/blog/2012/04/19/e-muita-imprecisao/)

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Pequeno sonho (Sírio Possenti)

PEQUENO SONHO
(Sírio Possenti)

Meu pequeno sonho é que não haja mais aulas de português que não sejam aulas de português. Chega de aulas para dividir palavras em sílabas, ditar com pronúncias artificiais, copiar do quadro, sublinhar substantivos, “tirar” verbos da segunda conjugação, responder a perguntas bobas para supostamente verificar a compreensão de frases banais como “O burrinho subiu a montanha para pastar” (Quem subiu a montanha?).  
Muitas aulas de gramática também são bem bobas. Alguém  sabe por que as aulas de todos os anos começam com sujeito e predicado? Já imaginaram aulas de matemática recomeçando sempre com soma e multiplicação? As adjetivas explicativas estão entre vírgulas? E quem colocou as vírgulas? Deus? Alá? O papa? O Neymar?  
Meu sonho geral inclui que se leia muito e durante as aulas. E que os textos lidos sejam comentados e que sejam dos que mexem com a cabeça dos alunos, que os colocam “pra cima”, que exigem que seus cérebros trabalhem. E que as músicas que eles eventualmente ouçam não sejam da marca Michel Teló – para isso não precisam sair de casa.  
Mas meu principal pequeno sonho tem a ver com escrita. Escreve-se mais hoje – com os meios eletrônicos ¬- do que antes, o que gera um pouco de otimismo. Mas eu me refiro à escrita “trabalhada”, discutida, analisada. As aulas são para escrever e revisar textos. O  professor no papel de revisor, como numa editora, é bem mais interessante do que como simples corretor. É que as atividades em torno dos textos devem fazer sentido histórico. E a revisão tem esse sentido (quem quiser ler sobre isso pode pedir como presente o livro Inscrever & Apagar, de Roger Chartier).  
Vou mostrar um pouco disso “revisando” dois tipos de texto: um antigo é um de aluno;  que todos diriam que é ruim. Em relação aos dois, a atividade sugerida é do mesmo tipo: reescrever. Num caso, para atualizar (dicas sobre edição e reedição são bem-vindas). No outro, para adequar ou revisar (dicas sobre a norma são importantes).  
Considere-se este texto do século XIV:  “Comta-se que huu leom era tam velho que se nom podia mouer; e emcontrou com huu asno e com huu touro e com huu porco. Veendo estes que o leom per velhiçe nom se podia mouer, disseram antre si”… (Nota: “huu” deveria ter um til no primeiro “u”, mas minha máquina não sabe fazer isso; marquei a diferença com itálico).  
Numa aula de português, os alunos reescreveriam este texto de modo a torná-lo atual, de modo a poder ser publicado numa edição moderna, sem pretensões filológicas. Certos fatos devem ser comentados: as mudanças regulares (mesmo que pareçam ser só de escrita) devem ser anotadas (por exemplo: mouer > mover, huu > um, leom > leão, nom > não etc., de pronúncia ou de escrita; e pelo menos uma sintática: nom se podia mouer > não podia se mover, não podia mover-se). Desenvolvem-se assim a capacidade de observação e a consciência linguística.  
O resultado da revisão seria (pode haver soluções alternativas): “Conta-se que um leão era tão velho que não podia se mover / mover-se (mexer, andar). Encontrou um asno (burro), um touro e um porco. Vendo que o leão, por (por causa de) sua velhice, não podia se mover (andar etc.), disseram entre si”…  
Outro trecho é o início de um texto de aluno de terceira série, coletado e analisado por Eglê Franchi em Redação na escola; e as crianças eram difíceis (quem não sabe o que fazer nas aulas pode aprender quase tudo de que precisa lendo este livro). “Eu e meu golega fomos pescar no riu comesou a puxar e ele viu e puxou e o ansol enroscou e ele subiu na árvore para denherosça e o ansol caio dreto do riu”.  
É claro que o texto tem problemas. Mas também tem virtudes, muita coisa bem escrita. Além de ser um começo engraçado de uma história de pescaria. Se lemos este texto junto com alguns antigos, nos quais a grafia resultava de tentativas dos escritores e não era fruto de uma lei, nosso pessimismo pode diminuir. Além disso, é para que os alunos possam aprender que existe a escola. Se soubessem escrever corretamente desde sempre, as aulas não seriam necessárias.  
Pode-se reescrever o texto por etapas. Sugiro começar pela grafia (mas se poderia começar pela pontuação ou preenchendo “lacunas”). Mais ou menos assim:  
“Eu e meu colega fomos pescar no rio começou a puxar e ele viu e puxou e o anzol enroscou e ele subiu na árvore para desenroscar e o anzol caiu dentro do rio”  
Tudo pode ser comentado à medida que se arruma o texto: alguns erros de grafia decorrem da pronúncia (riu), outros, do sistema (s / z em anzol); especialmente, é bom mostrar que, se o aluno escreveu “enroscou”, poderia ter errado menos escrevendo “desenroscar”.  
Em seguida, pode-se mexer na pontuação, o que pode exigir outras pequenas alterações (eliminar ocorrências de “e”, por exemplo). Sempre há várias alternativas. Uma pode ser:  
“Eu e meu colega fomos pescar no rio. Começou a puxar. Ele viu e puxou. Mas o anzol enroscou e ele subiu na árvore para desenroscar. O anzol caiu dentro do rio”.  
O texto pode ser alterado de outras formas, para torná-lo um pouco mais “elegante”. Por exemplo:  
“Eu e meu colega fomos pescar no rio. Os peixes começaram a beliscar. Ele viu e puxou o anzol, mas (o fez com muita força e) o anzol acabou enroscando na árvore. Teve que subir para desenroscar, mas então o anzol caiu no rio / na água”. Pode-se reescrever este texto durante uma manhã inteira, acrescentando dados como mencionar tipos de peixes, de iscas, dar o nome da árvore, informar se o rio era fundo ou perigoso, se a pescaria acontecia de tarde ou ao anoitecer, se pescavam para comer ou por diversão etc.   
Se uma “classe” fizer este tipo de trabalho duas vezes por semana durante cinco anos, é certo que o domínio da escrita acabará sendo quase sofisticado. O único “equipamento” exigido é um professor que saiba fazer isso…  
O texto antigo que citei acima eu o li na Antologia Nacional, livro em que aprendi de fato a ler durante meu “ginásio”. Inclui textos de todas as épocas, comentados em seus aspectos gramaticais e históricos, sem nenhum viés – nem contra, nem a favor. Mesmo sem que se estude explicitamente variação linguística ou história da língua, vai ficando claro que as lições de gramatiquinha são ridículas quando comparadas ao que os textos mostram e ensinam.  
Os alunos merecem uma ração escolar melhor.

(http://terramagazine.terra.com.br/blogdosirio/blog/2012/05/10/92/)



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25 Abril 2012

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO - REVISTA FSA


A Faculdade Santo Agostinho – FSA, por meio da Coordenação de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, torna público que no período de 1 abril a 31 de maio de 2012, receberá trabalhos para a 9ºedição da Revista FSA (ISSN 1806-6356), referente ao ano de 2012. Podem ser submetidos: artigos científicos, revisões bibliográficas, relatos de casos e resenhas, nas áreas do conhecimento relacionadas às Ciências Humanas e Sociais.

A Revista FSA é uma publicação científica interdisciplinar, dirigida a pesquisadores, professores, profissionais e estudantes de cursos  de pós-graduação, que possuam trabalhos gerados a partir de pesquisas originais e não divulgadas em outras revistas.

A Revista FSA está incluída no sistema QUALIS de qualificação de periódicos, elaborado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Mais informações em: http://www.fsanet.com.br/site/notcon.php?id=342


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X SEMANA CIENTÍFICA DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO – SEC 2012

Associação Teresinense de Ensino S/C LTDA – ATE
FACULDADE SANTO AGOSTINHO – FSA

X SEMANA CIENTÍFICA DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO – SEC 2012

A Coordenação de Pós-graduação Pesquisa e Extensão - CPGPEX – informa a abertura de inscrições de trabalhos e de participação na X SEMANA CIENTÍFICA DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO – SEC 2012, a ser realizada de 1 a 6 de outubro de 2012.
O evento tem por objetivo a divulgação das atividades de pesquisa realizadas por estudantes de graduação e pós-graduação (lato sensu e stricto sensu) de diversas Instituições de Ensino Superior que estejam realizando atividades de iniciação científica, estágios, monitoria e extensão, bem como de professores pesquisadores, visando à integração cultural e científica.
O evento visa, ainda, fomentar a pesquisa e o desenvolvimento científico, consolidando a posição da Instituição junto à sociedade acadêmica e científica teresinense e brasileira. Durante o evento, serão realizados, ainda, o IX Encontro de Iniciação à Docência (monitoria); o V Encontro de Extensão; e a I Mostra de Estágio Não Obrigatório do Curso de Farmácia da FSA.
Inscrições on-line: site www.fsanet.com.br  / informações: sec@fsanet.com.br  / telefone: 3215-8721

CRONOGRAMA DO EVENTO:
Período para inscrição de participantes: 02 de abril a 10 de setembro de 2012
Período de submissão de trabalhos: 02 de maio a 30 de junho de 2012
Período de avaliação dos trabalhos: 23 de julho a 04 de Agosto de 2012
Período de divulgação dos trabalhos selecionados no site www.fsanet.com.br: 08 de agosto de 2012
Entrega dos Anais e certificados aos participantes inscritos: 01 a 06 de outubro.

Gostaríamos de solicitar a sua colaboração na divulgação desse importante evento acadêmico. Por isso, encaminhamos edital SEC 2012 em PDF para ser difundido em suas listas de emails.


Teresina (PI), 25 de abril de 2012.

PROFA DRA. MARLENE ARAÚJO DE CARVALHO
Coordenadora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão
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21 Abril 2012

Crônica de uma morte anunciada


Aldo Bizzocchi

[Texto extraído da revista Lìngua Portuguesa]

 Dálmata não é só uma raça de cães. É também (ou melhor, foi) uma língua românica falada na região da Dalmácia, mais ou menos onde hoje fica a Croácia. O dálmata, ou dalmático, é uma das poucas línguas cuja morte tem uma data bem definida: 10 de junho de 1898. É que nesse dia morreu Antonio Udina, o último falante do idioma. Na verdade, o dálmata morreu como língua bem antes disso. Afinal, se Udina era o último falante, no fim de sua vida ele já não tinha mais com quem falar.

A sorte foi que, pouco antes de morrer, Udina foi entrevistado pelo linguista italiano Matteo Bartoli, que documentou a língua e mais tarde publicou um livro com sua descrição. Mas quando Bartoli fez isso, a língua dálmata já era um morto-vivo: um conjunto de vocábulos e regras gramaticais que já não servia para nenhuma comunicação. Como o dálmata, centenas de idiomas de pequenas comunidades estão morrendo dia após dia, ou porque seus membros estão deixando de usá-las em favor de línguas hegemônicas como o inglês e o espanhol, ou porque seus últimos falantes estão morrendo. A morte dessas línguas é como a extinção de espécies vivas. Com a única diferença de que, se documentadas a tempo, elas podem ser ensinadas na escola e com isso um dia voltar a ser faladas. Mesmo assim, de modo bem artificial.
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20 Abril 2012

PUTA


Origem da palavra ofensiva significa simplesmente menina



[Texto extraído da Revista "Aventuras na História: Para Viajar No Tempo"]




Na origem da palavra, em latim, putta é "menina". E, por mais paradoxal que seja, de sinônimo de ingênua e pura passou a ter conotação atual ao longo do tempo, sem uma explicação clara.


"A palavra putta em italiano antigo significa 'menina' também e é preservada em dialetos", afirma o linguista Mário Viaro, da USP.


 "No português europeu, puto é um menino pequeno, usado sobretudo no diminutivo 'putinho'." A palavra existe em português, espanhol, francês e italiano. Uma versão sobre a origem da palavra, popular sobretudo no Espanha, fala da deusa Puta, uma das divindades agrícolas romanas, responsável pela poda (puta, em latim). No dia em que podavam as árvores, as sacerdotisas exerciam a prostituição sagrada em honra à deusa. Com o passar do tempo, o nome da deusa virou sinônimo de prostituta.


O professor Viaro tem o pé atrás. "Outras origens para a palavra possivelmente são fantasiosas", diz ele.
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19 Abril 2012

Contextualizando o ensino da gramática por meio da arte

Contextualizando o ensino da gramática por meio da arte

Uma boa estratégia metodológica, no sentido de promover a eficácia da aprendizagem, é sempre contextualizar o ensino da gramática por meio da arte.

 

Por Vânia Duarte  [texto disponível no site do Brasil Escola: www.brasilescola.com] 


Posicionamentos diversos se manifestam quando o assunto se refere à concepção que se tem acerca do ensino da gramática. Nesse sentido, cabe ressaltar que tal diversidade muitas vezes se demarca muito mais por aspectos de ordem negativa que positiva. Assim, dizeres parecem se misturar, nos quais a predominância pende para algo mais ou menos do tipo: “estudar gramática é muito chato”; “aprender aquelas regras é insuportável”; “detesto Português”, e assim por diante. Mudanças nesse quadro são necessárias, sobretudo pela importância de fazermos bom uso da língua que falamos, valorizando-a em todos os seus aspectos.
Propor metodologias distintas, no sentido de buscar meios mais eficazes de fazer com que o ensino se concretize, é, por excelência, uma das incumbências atribuídas a todo educador. Quanto ao ensino da gramática, a situação não é diferente. Por mais que se fale em “contextualização”, exercícios e mais exercícios de fixação são cobrados de forma recorrente no ambiente de sala de aula; de maneira descontextualizada, obviamente.
Procurando, pois, inverter esse cenário, por meio dos textos “O ensino da sintaxe” e “Compreendendo as flexões verbais”, compartilhamos um discurso que retrata os pontos benéficos obtidos a partir de metodologias diferenciadas de ensino, cujo intuito é tão somente fazer com que determinados estigmas sejam senão banidos, ao menos amenizados, tornando o aprendizado algo prazeroso, não algo concebido de forma imposta. Como uma espécie de complementação, o discurso que aqui se evidencia não pende por outros rumores, ao contrário, elucida atividades sugestivas que porventura possam contribuir para o intento em questão.
Buscar nas artes, sobretudo na música e na Literatura, artifícios para o ensino dos postulados gramaticais parece “fugir” do convencionalismo e se revelar como algo instigante, despertando, assim, a busca por novas aprendizagens.
A começar por uma letra musical, intitulada “Máscara”, da cantora Pitty, cujos fragmentos assim se evidenciam:

Diga, quem você é me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
Tira, a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser
[...]

Diga quem você é, me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
E o importante é ser você
[...]

Após ouvi-la, o primeiro passo é fazer com que os alunos se familiarizem com a letra da canção. Na sequência, alguns pontos podem ser abordados, tais como aqueles voltados para o uso de pronome átono no início de orações, especialmente demarcados por: Me fale sobre a sua estrada/ Me conte sobre a sua vida”.

Outro ponto demarca-se por meio do uso da próclise logo após a presença da vírgula, como no primeiro verso Diga quem você é, me diga”.
Realizado tal procedimento, eis o momento oportuno de o educador levantar a seguinte questão: Como ficariam tais colocações uma vez adequadas ao padrão formal da linguagem? Assim, mais importante do que indagar é colocar realmente em prática. Veja:

Fale-me sobre a sua estrada
Conte-me sobre a sua vida

Diga quem você é, diga-me
[...]


Certamente que os posicionamentos firmados pelos aprendizes serão norteados pelo fato de que, em termos estéticos, especialmente em se tratando dos aspectos sonoros, o uso da ênclise, em vez da próclise, não se tonaria adequado ao contexto, tendo em vista a finalidade proferida por tal arte, que no caso é a música. Aproveitando o ensejo, é interessante ressaltar um fator: a chamada licença poética, cuja característica se define pela liberdade da qual faz uso o artista para expressar sua criatividade sem se sentir preso às normas gramaticais. Dada essa razão, ele pode obter de modo mais contundente o efeito desejado ao elaborar um determinado discurso.

Dando vazão à proposta metodológica, outras opções revelam sua pertinência, como é o caso de:

Malandragem, de Cássia Eller

Quem sabe eu ainda
Souuma garotinha (grifos nossos)
Contrariando os postulados gramaticais, evidencia-se a falta da correlação verbal, demarcada pelo uso indevido da forma verbal “sou”, em vez de “seja”.
No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra 
tinhauma pedra no meio do caminho 
tinhauma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra. 
Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinhauma pedra 
tinhauma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra
(grifos nossos) 
O pressuposto se deve ao fato de o verbo “ter” ser empregado no lugar do verbo “haver”.
Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim 
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar 
[...] 
  (grifos nossos)
Em tal circunstância, o que se pode atestar é o fato de que em se tratando de uma locução verbal, sobretudo demarcada por um fator de próclise (que), o pronome oblíquo deveria vir antes do verbo auxiliar, não depois dele, ou seja, “eu sei que te vou amar”.

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
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15 Abril 2012

Quais serão os nomes de crianças do futuro no Brasil?



[O texto a seguir foi publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, de 15 de abril de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/37247-enrico-e-luiza-serao-os-nomes-do-futuro.shtml


Enrico e Luiza serão 'os' nomes do futuro


Ricos estão se inspirando na Itália para batizar filhos; outras classes sociais devem seguir tendência, dizem especialistas
Nomes populares de hoje, como Lucas e Beatriz, estão em baixa nas listas das escolas, aponta estudo da USP

RICARDO MIOTO
COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

Nas próximas décadas, Enrico, Lucca e Enzo se tornarão nomes bastante comuns entre os jovens paulistas. Sofia, Luiza e Pietra também.
Devem se aproximar de Lucas, Gabriel, Jéssica e Beatriz, os mais comuns nas escolas do Estado. Lucas, aliás, está em decadência: após ir de 0,5% dos garotos em 1989 para quase 5% em 1994, é 2,5% agora.
Os nomes em ascensão foram adotados pelos pais das classes mais ricas na década de 1990, indica estudo da USP.
É possível dizer que eles vão se popularizar porque o rico é, no longo prazo, quem cria as tendências. Essa teoria está em dois livros americanos na última década: "Freakonomics" (2005), de Steven Levitt e Stephen Dubner, e "Do Que É Feito o Pensamento" (2007), de Steven Pinker.
É um círculo: as escolhas dos ricos ganham "status" até serem adotadas pelo resto da sociedade. Aí tais nomes se banalizam, e os endinheirados procuram novas opções. Nas palavras mais duras de Pinker, "a elite quer se diferenciar da ralé, que sempre vai imitá-la. É interminável".
No Brasil, a lista de nomes que têm hoje maior correlação com alta renda paterna foi feita pelo economista Lucas Scottini, em seu mestrado recém-defendido na USP.
Ele usou dados do governo paulista com mais de 10 milhões de alunos. Scottini ressalta que o objetivo não era indicar nomes que vão se popularizar, mas usá-los como identificadores de classe e de raça.
O estudo mostra que nomes italianos caíram no gosto dos ricos. E se a lista de presença das escolas de elite já parece a escalação da seleção da Itália, isso logo se espalhará.

'RECICLAGEM'

Há ainda os nomes que ressurgem: Frederico (9º mais ligado à riqueza) ou Catarina (12º entre as meninas). Pinker, com o exemplo americano, explica: nomes são reciclados. "Se você está entre Max, Rose e Sam, está num asilo ou numa creche."
Nesse sentido, veja o nome de alguns filhos de artistas que acabam sendo parte dessa elite criadora de moda: Joaquim (Angélica e Luciano Huck), Theodoro, Sebastião (Nando Reis), Antonia (Giovanna Antonelli), Francisco (Fernanda Lima) e Bento (Caio Blat).
Há um fenômeno específico dos nossos pobres: imitar a elite de fora. "Nos anos 1990, tivemos um boom de Daianas e Leidianas (com todas as grafias imagináveis), de Maicon, de Deivid", afirma Scottini.
"A ideia de modismo é ampla. Escolhas de certa forma revelam o clube a que pertencemos ou queremos pertencer", diz Marcos Rangel, orientador de Scottini. Ele também acredita, porém, que mais dados e estudos são necessários nesta área. Elabora agora um trabalho sobre os sobrenomes da escravidão.
E para quem diz que economistas deveriam se preocupar com coisas mais sérias?
"Eu já esperava que muitos colegas achariam meu trabalho patético e irrelevante, que rissem. Mas a economia trata de pessoas e decisões. Ninguém escolhe o nome do filho na roleta", diz Scottini.

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12 Abril 2012

Convite para Defesas de Dissertação

O grupo Cataphora convida a comunidade em geral para as defesas públicas de Dissertação de Mestrado de Bruno Diego e Leila Rachel, concludentes do Mestrado em Letras (Estudos de Linguagem) da Universidade Federal do Piauí.

As pesquisas abordam dois gêneros distintos praticados no Twitter, em uma perspectiva guiada pela Nova Retórica norte-americana, que entende os gêneros como ações sociais que ajudam as pessoas a fazerem coisas em sociedade. Na dissertação “O Perfil Fake como um Gênero do Twitter”, encontraremos uma análise do mundo de realidade e ficção construído na prática desse gênero, que trabalha com a criação de um personagem baseado em uma pessoa ou personagem já existente. Na outra dissertação, cujo titulo é “Apropriações Institucionais do Twitter: uma Análise Sociorretórica dos Perfis Institucionais de IES Piauienses”, temos um estudo sobre o gênero Perfil Institucional de IES (Instituição de Ensino Superior) no Twitter, prática discursiva na qual os produtores (empíricos) do gênero trabalham para atender tanto aos interesses da IES como aos interesses dos seguidores do perfil.

Abaixo, os detalhes das defesas.


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31 Março 2012

II COGITE

Depois do sucesso do I COGITE (Colóquio de Estudos sobre Gêneros & Textos), o Grupo Cataphora já prepara a segunda edição do evento, prevista para 22 de junho de 2012

Aguardem mais informações! 

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07 Março 2012

"O DNA das palavras", por Carlos Heitor Cony


(texto reproduzido da coluna de Carlos Heitor Cony publicada no jornal A Folha de S. Paulo de 4 de março de 2012)

RIO DE JANEIRO - A Justiça acolheu o pedido de um cidadão que deseja modificar um verbete do dicionário de Antônio Houaiss, publicado sob a responsabilidade do instituto criado pelo famoso filólogo.

O verbete em causa é "cigano" e seus derivados, como ciganear, ciganice e outros. Como é praxe nos dicionários, há a relação de todos os significados de determinada palavra, inclusive aqueles que podem ser considerados ou que são realmente pejorativos.

Dando seguimento à ação, a Justiça pediu o recolhimento do estoque existente do dicionário em questão e estabeleceu pesada quantia a ser paga ao querelante, devido à indenização moral a que teria direito.

No passado, um intelectual de origem judaica também questionou o verbete "judiação", constante de muitos dicionários. Não me lembro no que deu a ação, mas a palavra continua constando do léxico, com o significado de maltrato a alguém. É a linguagem do povo, verdadeiro autor e usuário das palavras.

O que se exige de um dicionário é que traga o maior número de significados para cada vocábulo, inclusive para aqueles que podem ser pejorativos ou insultuosos a determinados indivíduos, comunidades ou instituições.

Qualquer palavra pode mudar de significado conforme as circunstâncias e o tom da pronúncia. É o caso de "cachorrada", altamente pejorativa, derivada de cachorro e cão. "Você é um cão" pode ser elogioso, no sentido de fidelidade, apego a um amigo. Mas pode ser pejorativo, com o sentido de canalha: "Você não passa de um cão".

Há o caso de "barbeiragem" e "barbeiro", palavras relativas a um ofício antigo e digno, mas que a gíria adotou para designar, inicialmente, um mau motorista, e, depois, qualquer um que cometa uma ação errada.


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"Censurando o dicionário", por Hélio Schwartsman


(Texto reproduzido da Folha de São Paulo, 
2/3/2012)

SÃO PAULO
Ou botaram alguma coisa na água do bebedor do MPF (Ministério Público Federal) de Belo Horizonte ou o parquet não sabe para que serve um dicionário. É despropositada a ação civil pública que o MPF ajuizou pedindo a retirada de circulação do dicionário "Houaiss", porque a obra contém "expressões pejorativas e preconceituosas" contra os ciganos. Entre as múltiplas definições para a palavra, constam "aquele que trapaceia, velhaco, burlador" e "agiota, sovina". Evidentemente, o "Houaiss" marca esses usos como pejorativos.

Não cabe ao lexicógrafo dar lições de moral ou depurar o idioma das injustiças sociais que ele carrega, mas tão somente registrar as acepções presentes e passadas dos vocábulos. Se deixa de fazê-lo, a obra torna-se inútil. Por isonomia, o MPF deveria também mandar recolher todos os dicionários que trazem, por exemplo, o termo "beócio". Para essa palavra, o "Aurélio" registra: "curto de inteligência; ignorante, boçal". Se olharmos para a etimologia, descobriremos que estamos diante de um imemorial preconceito dos atenienses, para os quais os habitantes da Beócia não passavam de camponeses estúpidos.

Na mesma linha vão "capadócio" (natural da Capadócia, mas também ignorante, trapaceiro, canalha), "filisteu" (antigo habitante da Palestina e pessoa inculta, vulgar), "vândalo" (membro de uma tribo germânica e destruidor), além de "lapônio", "ladino", "safardana", "maltês". Também carregam alguma dose de intolerância termos como "judiar" (agir como judeu e maltratar), "cretino" (quem padece de hipotireoidismo), "escravo" (que vem de eslavo).

No fundo, línguas são verdadeiros catálogos de preconceitos, às vezes nem originais, mas herdados de outros povos. Com o passar do tempo, já nem os reconhecemos como tal, mas as palavras em que resultaram enriquecem e dão caráter histórico ao idioma. Privar a língua dessa dinâmica é torná-la uma língua morta.
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06 Março 2012

“Quero me livrar do meu cachorro, mas sem judiar. Como faço?”

por SAMARINA SOARES DE SÁ

A língua refrata a sociedade, seus costumes e hábitos. Passa constantemente por mudanças, incorpora novas expressões e, sem que percebamos, já atribuímos às novas palavras outros significados e mais significados e mais e mais, até que ela decide mudar novamente (para desespero dos gramaticóides).
Nenhuma das assertivas anteriores é estranha a quem já pagou cadeira de Linguística Introdutória ou a quem está ligado nas discussões sóbrias sobre Linguagem.
Acontece que, por vezes, nos deparamos com palavras que, apesar de já consolidadas, proveem de situações vexatórias e marcadamente abomináveis, tal como o verbo Judiar, presente na frase que intitula este comentário.
Judiar é maltratar? Sim. Certamente até a segunda metade do século XX esta expressão jamais seria compreendida e um enorme ponto de interrogação preencheria o vazio deixado pelo seu significado.
Judiar provém de judeu, e qualquer Manual de História Contemporânea explica quem é esse povo e por quais privações passou até se libertar dos cativeiros nazistas, motivo que justifica o significado atribuído à palavra como sinônimo de maltratar.
Recorrendo à memória brasileira, temos como exemplo o famigerado “denegrir”. Político adora dizer que seu opositor está denegrindo sua imagem perante a opinião pública, sempre que se vê acuado por gravações secretas e comprometedoras.
Denegrir lembra negro. Negro (ainda) lembra escravo. Se qualquer Manual de História do Brasil Colônia ao Império explica o que o negro fez pela economia do País do açúcar, do ouro e do café, bem como o status a ele conferido e as torturas por ele sofridas, nada complicado associar o significado ainda hoje atribuído ao “denegrir” como sinônimo de manchar, poluir e, por que não, sujar.
Estas palavras, confesso, me desagradam profundamente. Já que não é possível (nem seria viável) fugir das enormes portas abertas deixadas pela sensibilidade de quem incorpora as novas expressões à Língua Portuguesa, ou seja, os falantes, também não cabe a nós, educadores, omitir informações contextualizadas acerca dos significados atribuídos às expressões. Seria perder a oportunidade de conscientizar mentes em formação acerca do que permeia a incorporação de palavras ao nosso vocabulário. Nem tanto a terra nem tanto o mar.
Cataphorentos e simpatizantes, o que acham das palavras que possuem significados considerados “preconceituosos”? Como lidar com estas expressões em sala de aula? Deem mais exemplos. Opinem. Participem.
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15 Dezembro 2011

V Semana de Letras do CESTI-UEMA


    Nesta semana, de 15 a 17, acontecerá a V Semana de Letras do CESTI-UEMA, no campus da UEMA em Timon cujo tema é “Literatura e Linguagem: pesquisa e ensino em foco”. Esse evento contará com a colaboração de pesquisadores do Cataphora tanto em palestras e mesas redondas como na organização no evento.
    A Semana de Letras da UEMA de Timon, que está em sua quinta edição, é um evento organizado por professores do curso de letras em parceria com alunos e a coordenação do curso. O objetivo é criar um ambiente propício ao estímulo da pesquisa e da reflexão sobre questões axiais para o profissional de letras.
    Este ano, participarão da Semana as pesquisadoras do Cataphora Lafity dos Santos Silva (UEMA/CATAPHORA) e Leila Rachel Barbosa Alexandre (UFPI/CATAPHORA) na mesa redonda Gêneros, texto e gramática: pesquisa e ensino” onde discutirão os conceitos de gênero e texto juntamente com o professor Marcelo Alessandro Limeira dos Anjos (UFPI) que tratará do conceito de gramática. Participará também do evento o professor Francisco Alves Filho (UFPI/CATAPHORA) que apresentará a palestra “Novas” tecnologias: (des)encontros com “velhas” e “novas” pedagogias, cujo propósito é discutir questões relevantes sobre os novos recursos tecnológicos e seus impactos na prática docente em sala de aula.
    As inscrições para a Semana estão abertas e podem ser feitas na própria UEMA ou, no formato de pré-inscrição, por meio do blog semanadeletrascesti.blogspot.com, onde deve ser preenchida uma ficha de inscrição que poderá ser validada mediante pagamento no ato do credenciamento.
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07 Dezembro 2011

A (quase) participação dos graduandos nos eventos acadêmicos

Ao organizarmos o I COGITE, tínhamos em mente um evento que divulgasse o trabalho do grupo Cataphora, mas que, principalmente, proporcionasse discussões e reflexões acadêmicas tendo em vista um público alvo que, muitas vezes, não está acostumado com isso na Universidade: os alunos da graduação. Creio que o I COGITE conseguiu atingir com eficiência esses objetivos, embora para a próxima edição tenhamos a pretensão de atingir um público maior de estudantes, possibilitando não só que eles assistam e discutam pesquisas, mas que também produzam pesquisas. A experiência com a organização do I COGITE nos fez pensar nos eventos científicos (especificamente da área de Letras) que temos visto e participado, e alguns questionamentos começaram a aparecer nas nossas conversas.

Um desses questionamentos se refere à participação de alunos de graduação nos eventos maiores. O que se vê muitas vezes é a situação de as apresentações de graduandos serem colocadas em segundo plano, geralmente em apresentações de pôsteres, em horários ruins ou concorrendo com outra programação do evento. O problema não é tanto as apresentações serem feitas em pôster — embora eu, particularmente, ache que o pôster não seja a melhor forma ou a mais eficiente de apresentar trabalhos —, mas o destaque que se dá a elas. É que fica parecendo que se quis dar uma oportunidade aos trabalhos da graduação, mas não se acredita tanto neles (pela pressuposição de falta de experiência acadêmica, talvez) a ponto de dar-lhes um destaque maior. A julgar pela boa qualidade e desenvoltura de muitos trabalhos de alunos da graduação que tenho visto, esse cenário nem sempre se justifica.

No I COGITE, algumas boas surpresas que tivemos foram as apresentações dos graduandos do grupo (César, Beatrice e Ismael), integrados ao grupo de discussão e com trabalhos consistentes, o que é um indício de que estudantes de graduação podem, sim, apresentar trabalhos bacanas e com uma qualidade na apresentação equiparável a de apresentadores mais experientes e, portanto, são merecedores de um espaço de destaque também. Além disso, é bem provável que dar maior relevância à divulgação de boas produções dos graduandos incentive outros graduandos a também produzirem.

Grande parte das oportunidades de apresentação de trabalho para os alunos de graduação vem da participação deles em projetos de iniciação científica, o que não deixa de ser uma ótima oportunidade, mas muitas vezes se restringe a isso. Portanto, o incentivo à pesquisa corre o risco de ficar limitado a alguns alunos que conseguem entrar no PIBIC, não abrangendo muitos alunos da graduação. Para tentar diminuir essa falta de destaque aos graduandos nos congressos, podemos pensar em novas formas de apresentação, que não restrinjam a possibilidade de participação apenas a alunos PIBIC e que incentivem os outros alunos a também produzirem bons trabalhos e divulgá-los, tais como: reduzir o número de pôsteres por sessão; colocá-los como comunicações individuais, isto é, dispor os pôsteres em uma sala e solicitar uma breve apresentação do graduando, fazendo, em seguida, com que cada graduando fique à disposição para receber as perguntas e debater seu trabalho; ou apenas dispor de um horário específico que favoreça a participação dos congressistas nas apresentações dos estudantes.

Apesar de sabermos que é difícil beneficiar todos em um congresso, dando tempo suficiente para debates e exposições de ideias de forma equivalente para os participantes, acredito que não é muito interessante dar continuidade a essa tradição de desprestigio aos trabalhos de graduandos, considerando que, de certa forma, o futuro da divulgação científica em cada área do conhecimento depende deles. Me parece, então, muito mais eficaz formar bons pesquisadores e bons divulgadores científicos desde cedo, ainda na graduação, não é mesmo?
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25 Novembro 2011

Você como educador o que pensa a respeito???




Um juiz federal derrubou a norma que estabelecia idade mínima para a criança ingressar no primeiro ano do ensino fundamental e desencadeou uma polêmica entre educadores e pais de alunos.


Veja a reportagem divulgada ontem no
Jornal Nacional!!!


Márcio precisou entrar na Justiça pra fazer a matrícula do filho no 1º ano do ensino fundamental. Miguel só vai completar 6 anos em maio do ano que vem, dois meses depois da data limite definida pelo Conselho Nacional de Educação. O relatório de desempenho fornecido pela escola foi o que ajudou a convencer o juiz.



“Ele já sabia ler e escrever, somar e subtrair, inclusive consta isso no relatório”, conta Márcio.



A regra foi suspensa em todo o Brasil por uma decisão da Justiça Federal de Pernambuco. A liminar deixa para a escola a decisão de aceitar ou não a matrícula antes da hora. Segundo o juiz, as escolas, principalmente as particulares, dispõem de recursos pedagógicos suficientes para impedir que crianças que ainda não estejam preparadas entrem no ensino fundamental.


O sindicato dos donos de escola teme a pressão das famílias de alunos para aceitar a matrícula em idade fora das normas.


O educador Carlos Roberto Jamil Cury acha que não vale correr o risco. Para ele, antecipar o processo educativo pode levar a problemas de aprendizado mais tarde: “Isto pode estar em descompasso com a maturidade social, com a maturidade psicológica e, sobretudo, com a maturidade emocional. Esta maturidade você adquire muito mais através do jogo, da expressão artística, do que simplesmente você ficar estressando a criança somente com ler, escrever, contar, multiplicar”, explica.


Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria Do Pilar Lacerda, a medida judicial não forçará a mudança nas regras: “Não muda porque mais de 80% dos sistemas já se organizaram, já fizeram seu planejamento, já estão fazendo as matrículas e eles já estão seguindo essa orientação. Se a gente tiver alguma mudança, serão mudanças pontuais e muito localizadas”.


O MEC informou que vai recorrer da decisão judicial.





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20 Novembro 2011

Slides das apresentações do I COGITE!

Confira as apresentações de slides usadas pelos palestrantes do I COGITE, realizado em 18 de novembro de 2011. Clique nos títulos das apresentações para visualizar os slides correspondentes.


Palestra 


UMA VISÃO GERAL DOS ESTUDOS RETÓRICOS DE GÊNEROS - Francisco Alves Filho (UFPI) 


Gêneros jornalísticos na mídia 




NOTÍCIA: UM DIÁLOGO ENTRE IMPRENSA E RECEPÇÃO - Emanoel Barbosa de Sousa (UFPI) 








Gêneros no meio digital 










Gêneros no mundo do trabalho 


CONCEPÇÃO DO GÊNERO OFÍCIO EM MANUAIS OFICIAIS DE REDAÇÃO -Beatrice Nascimento Monteiro (UFPI)/Ismael Paulo Cardoso Alves (UFPI) 




OFÍCIO: PADRONIZAÇÃO E MUDANÇAS - Maria Roziane de Sousa Brito (UFPI) 


GÊNERO ENTREVISTA DE EMPREGO: UM GÊNERO MARCADO PELA FORMA? - Lafity dos Santos-Silva (IDB/UEMA)




Apresentações



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10% dos professores no país fazem 'bico'

10% dos professores no país fazem 'bico'

FÁBIO TAKAHASHI

DE SÃO PAULO

ELTON BEZERRA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Semanalmente, a professora de ciências Sonia Maria de Barros Cardoso, 52, leciona 32 horas em duas escolas públicas no Rio. Seu salário é de R$ 1.800.
Para complementar, vende cosméticos, o que lhe rende R$ 1.000 mensais em oito horas semanais. "Em datas comemorativas, chega a ficar igual ao que ganho no magistério", afirma a docente. Como Sonia, outros 266 mil professores da educação básica do país possuem uma segunda ocupação fora do ensino, um "bico", aponta estudo apresentado no mês passado pelos pesquisadores da USP Thiago Alves e José Marcelino de Rezende Pinto.
O número representa 10,5% do magistério nacional, índice bem acima do da população brasileira (3,5% têm uma segunda ocupação). O estudo usa a Pnad-IBGE e o Censo Escolar-MEC, ambos de 2009, e abrange as redes privada e pública. Alguns dos mais frequentes "bicos" dos docentes são os de vendedores em lojas e os de funcionários em serviços de embelezamento.
Segundo a pesquisa da USP, os professores recorrem mais à segunda ocupação do que os padeiros, os corretores de imóveis e os PMs.

POLÊMICA SALARIAL

Para os autores do estudo, a maior incidência do "bico" entre os professores está relacionada aos baixos salários. A média salarial dos docentes do ensino fundamental, segundo a pesquisa (entre R$ 1.454 e R$ 1.603 à época), é inferior ao que ganham, em média, corretores de seguro (R$ 1.997) e caixas de bancos (R$ 1.709). "O professor, com isso, é obrigado a despender energia em ações que não têm a ver com aulas", diz Alves.
Para alguns especialistas, no entanto, a questão não é tão simples.
"Os salários não são uma maravilha, mas, se comparados à média da população, os professores não estão morrendo de fome", afirma Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. "Sempre que há concurso para contratação de professores para as redes públicas há uma grande concorrência. Se a profissão fosse tão ruim, não haveria fila", diz Samuel Pessoa, da FGV.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0711201110.htm

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