01 Junho 2012
Convite - Palestra com Prof.ª Dr.ª Aurea Zavam
11 Maio 2012
É MUITA IMPRECISÃO (Sírio Possenti)
Pequeno sonho (Sírio Possenti)
29 Abril 2012
Cataphora na imprensa (No dia 27 de Abril de 2012, Sexta-feira, o nosso grupo de pesquisa ganha uma página inteira no Jornal impresso Meio Norte. O coordenador e líder do Cataphora fala sobre a importância das redes sociais como objeto de estudo. No mesmo dia, Bruno Diego e Leila Rachel, integrantes do grupo, defendiam suas dissertações cujo objeto de análise foi o perfil no Twitter. Leiam a reportagem na íntegra)
25 Abril 2012
CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO - REVISTA FSA
A Faculdade Santo Agostinho – FSA, por meio da Coordenação de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, torna público que no período de 1 abril a 31 de maio de 2012, receberá trabalhos para a 9ºedição da Revista FSA (ISSN 1806-6356), referente ao ano de 2012. Podem ser submetidos: artigos científicos, revisões bibliográficas, relatos de casos e resenhas, nas áreas do conhecimento relacionadas às Ciências Humanas e Sociais.
A Revista FSA é uma publicação científica interdisciplinar, dirigida a pesquisadores, professores, profissionais e estudantes de cursos de pós-graduação, que possuam trabalhos gerados a partir de pesquisas originais e não divulgadas em outras revistas.
A Revista FSA está incluída no sistema QUALIS de qualificação de periódicos, elaborado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Mais informações em: http://www.fsanet.com.br/site/notcon.php?id=342
X SEMANA CIENTÍFICA DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO – SEC 2012
FACULDADE SANTO AGOSTINHO – FSA
X SEMANA CIENTÍFICA DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO – SEC 2012
A Coordenação de Pós-graduação Pesquisa e Extensão - CPGPEX – informa a abertura de inscrições de trabalhos e de participação na X SEMANA CIENTÍFICA DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO – SEC 2012, a ser realizada de 1 a 6 de outubro de 2012.
O evento tem por objetivo a divulgação das atividades de pesquisa realizadas por estudantes de graduação e pós-graduação (lato sensu e stricto sensu) de diversas Instituições de Ensino Superior que estejam realizando atividades de iniciação científica, estágios, monitoria e extensão, bem como de professores pesquisadores, visando à integração cultural e científica.
O evento visa, ainda, fomentar a pesquisa e o desenvolvimento científico, consolidando a posição da Instituição junto à sociedade acadêmica e científica teresinense e brasileira. Durante o evento, serão realizados, ainda, o IX Encontro de Iniciação à Docência (monitoria); o V Encontro de Extensão; e a I Mostra de Estágio Não Obrigatório do Curso de Farmácia da FSA.
Inscrições on-line: site www.fsanet.com.br / informações: sec@fsanet.com.br / telefone: 3215-8721
CRONOGRAMA DO EVENTO:
Período para inscrição de participantes: 02 de abril a 10 de setembro de 2012
Período de submissão de trabalhos: 02 de maio a 30 de junho de 2012
Período de avaliação dos trabalhos: 23 de julho a 04 de Agosto de 2012
Período de divulgação dos trabalhos selecionados no site www.fsanet.com.br: 08 de agosto de 2012
Entrega dos Anais e certificados aos participantes inscritos: 01 a 06 de outubro.
Gostaríamos de solicitar a sua colaboração na divulgação desse importante evento acadêmico. Por isso, encaminhamos edital SEC 2012 em PDF para ser difundido em suas listas de emails.
Teresina (PI), 25 de abril de 2012.
PROFA DRA. MARLENE ARAÚJO DE CARVALHO
Coordenadora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão
21 Abril 2012
Crônica de uma morte anunciada
Aldo Bizzocchi
[Texto extraído da revista Lìngua Portuguesa]
Dálmata não é só uma raça de cães. É também (ou melhor, foi) uma língua românica falada na região da Dalmácia, mais ou menos onde hoje fica a Croácia. O dálmata, ou dalmático, é uma das poucas línguas cuja morte tem uma data bem definida: 10 de junho de 1898. É que nesse dia morreu Antonio Udina, o último falante do idioma. Na verdade, o dálmata morreu como língua bem antes disso. Afinal, se Udina era o último falante, no fim de sua vida ele já não tinha mais com quem falar.A sorte foi que, pouco antes de morrer, Udina foi entrevistado pelo linguista italiano Matteo Bartoli, que documentou a língua e mais tarde publicou um livro com sua descrição. Mas quando Bartoli fez isso, a língua dálmata já era um morto-vivo: um conjunto de vocábulos e regras gramaticais que já não servia para nenhuma comunicação. Como o dálmata, centenas de idiomas de pequenas comunidades estão morrendo dia após dia, ou porque seus membros estão deixando de usá-las em favor de línguas hegemônicas como o inglês e o espanhol, ou porque seus últimos falantes estão morrendo. A morte dessas línguas é como a extinção de espécies vivas. Com a única diferença de que, se documentadas a tempo, elas podem ser ensinadas na escola e com isso um dia voltar a ser faladas. Mesmo assim, de modo bem artificial.
20 Abril 2012
PUTA
Origem da palavra ofensiva significa simplesmente menina
[Texto extraído da Revista "Aventuras na História: Para Viajar No Tempo"]
Na origem da palavra, em latim, putta é "menina". E, por mais paradoxal que seja, de sinônimo de ingênua e pura passou a ter conotação atual ao longo do tempo, sem uma explicação clara.
"A palavra putta em italiano antigo significa 'menina' também e é preservada em dialetos", afirma o linguista Mário Viaro, da USP.
"No português europeu, puto é um menino pequeno, usado sobretudo no diminutivo 'putinho'." A palavra existe em português, espanhol, francês e italiano. Uma versão sobre a origem da palavra, popular sobretudo no Espanha, fala da deusa Puta, uma das divindades agrícolas romanas, responsável pela poda (puta, em latim). No dia em que podavam as árvores, as sacerdotisas exerciam a prostituição sagrada em honra à deusa. Com o passar do tempo, o nome da deusa virou sinônimo de prostituta.
O professor Viaro tem o pé atrás. "Outras origens para a palavra possivelmente são fantasiosas", diz ele.
19 Abril 2012
Contextualizando o ensino da gramática por meio da arte
Contextualizando o ensino da gramática por meio da arte
Uma boa estratégia metodológica, no sentido de promover a eficácia da aprendizagem, é sempre contextualizar o ensino da gramática por meio da arte.
Por Vânia Duarte [texto disponível no site do Brasil Escola: www.brasilescola.com]
Diga, quem você é me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser
Diga quem você é, me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
E o importante é ser você
Após ouvi-la, o primeiro passo é fazer com que os alunos se familiarizem com a letra da canção. Na sequência, alguns pontos podem ser abordados, tais como aqueles voltados para o uso de pronome átono no início de orações, especialmente demarcados por: “Me fale sobre a sua estrada/ Me conte sobre a sua vida”.
Outro ponto demarca-se por meio do uso da próclise logo após a presença da vírgula, como no primeiro verso “Diga quem você é, me diga”.
Fale-me sobre a sua estrada
Conte-me sobre a sua vida
Diga quem você é, diga-me
[...]
Certamente que os posicionamentos firmados pelos aprendizes serão norteados pelo fato de que, em termos estéticos, especialmente em se tratando dos aspectos sonoros, o uso da ênclise, em vez da próclise, não se tonaria adequado ao contexto, tendo em vista a finalidade proferida por tal arte, que no caso é a música. Aproveitando o ensejo, é interessante ressaltar um fator: a chamada licença poética, cuja característica se define pela liberdade da qual faz uso o artista para expressar sua criatividade sem se sentir preso às normas gramaticais. Dada essa razão, ele pode obter de modo mais contundente o efeito desejado ao elaborar um determinado discurso.
Dando vazão à proposta metodológica, outras opções revelam sua pertinência, como é o caso de:
Malandragem, de Cássia Eller
Quem sabe eu ainda
No meio do caminho tinha uma pedra
tinhauma pedra no meio do caminho
tinhauma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinhauma pedra
tinhauma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra (grifos nossos)
[...] (grifos nossos)
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
15 Abril 2012
Quais serão os nomes de crianças do futuro no Brasil?
[O texto a seguir foi publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, de 15 de abril de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/37247-enrico-e-luiza-serao-os-nomes-do-futuro.shtml]
Ricos estão se inspirando na Itália para batizar filhos; outras classes sociais devem seguir tendência, dizem especialistas
Nomes populares de hoje, como Lucas e Beatriz, estão em baixa nas listas das escolas, aponta estudo da USP
Nas próximas décadas, Enrico, Lucca e Enzo se tornarão nomes bastante comuns entre os jovens paulistas. Sofia, Luiza e Pietra também.
Devem se aproximar de Lucas, Gabriel, Jéssica e Beatriz, os mais comuns nas escolas do Estado. Lucas, aliás, está em decadência: após ir de 0,5% dos garotos em 1989 para quase 5% em 1994, é 2,5% agora.
Os nomes em ascensão foram adotados pelos pais das classes mais ricas na década de 1990, indica estudo da USP.
É possível dizer que eles vão se popularizar porque o rico é, no longo prazo, quem cria as tendências. Essa teoria está em dois livros americanos na última década: "Freakonomics" (2005), de Steven Levitt e Stephen Dubner, e "Do Que É Feito o Pensamento" (2007), de Steven Pinker.
É um círculo: as escolhas dos ricos ganham "status" até serem adotadas pelo resto da sociedade. Aí tais nomes se banalizam, e os endinheirados procuram novas opções. Nas palavras mais duras de Pinker, "a elite quer se diferenciar da ralé, que sempre vai imitá-la. É interminável".
No Brasil, a lista de nomes que têm hoje maior correlação com alta renda paterna foi feita pelo economista Lucas Scottini, em seu mestrado recém-defendido na USP.
Ele usou dados do governo paulista com mais de 10 milhões de alunos. Scottini ressalta que o objetivo não era indicar nomes que vão se popularizar, mas usá-los como identificadores de classe e de raça.
O estudo mostra que nomes italianos caíram no gosto dos ricos. E se a lista de presença das escolas de elite já parece a escalação da seleção da Itália, isso logo se espalhará.
'RECICLAGEM'
Há ainda os nomes que ressurgem: Frederico (9º mais ligado à riqueza) ou Catarina (12º entre as meninas). Pinker, com o exemplo americano, explica: nomes são reciclados. "Se você está entre Max, Rose e Sam, está num asilo ou numa creche."
Nesse sentido, veja o nome de alguns filhos de artistas que acabam sendo parte dessa elite criadora de moda: Joaquim (Angélica e Luciano Huck), Theodoro, Sebastião (Nando Reis), Antonia (Giovanna Antonelli), Francisco (Fernanda Lima) e Bento (Caio Blat).
Há um fenômeno específico dos nossos pobres: imitar a elite de fora. "Nos anos 1990, tivemos um boom de Daianas e Leidianas (com todas as grafias imagináveis), de Maicon, de Deivid", afirma Scottini.
"A ideia de modismo é ampla. Escolhas de certa forma revelam o clube a que pertencemos ou queremos pertencer", diz Marcos Rangel, orientador de Scottini. Ele também acredita, porém, que mais dados e estudos são necessários nesta área. Elabora agora um trabalho sobre os sobrenomes da escravidão.
E para quem diz que economistas deveriam se preocupar com coisas mais sérias?
"Eu já esperava que muitos colegas achariam meu trabalho patético e irrelevante, que rissem. Mas a economia trata de pessoas e decisões. Ninguém escolhe o nome do filho na roleta", diz Scottini.
12 Abril 2012
Convite para Defesas de Dissertação
31 Março 2012
II COGITE
07 Março 2012
"O DNA das palavras", por Carlos Heitor Cony
"Censurando o dicionário", por Hélio Schwartsman
(Texto reproduzido da Folha de São Paulo, 2/3/2012)
SÃO PAULO
06 Março 2012
“Quero me livrar do meu cachorro, mas sem judiar. Como faço?”
15 Dezembro 2011
V Semana de Letras do CESTI-UEMA
07 Dezembro 2011
A (quase) participação dos graduandos nos eventos acadêmicos
Um desses questionamentos se refere à participação de alunos de graduação nos eventos maiores. O que se vê muitas vezes é a situação de as apresentações de graduandos serem colocadas em segundo plano, geralmente em apresentações de pôsteres, em horários ruins ou concorrendo com outra programação do evento. O problema não é tanto as apresentações serem feitas em pôster — embora eu, particularmente, ache que o pôster não seja a melhor forma ou a mais eficiente de apresentar trabalhos —, mas o destaque que se dá a elas. É que fica parecendo que se quis dar uma oportunidade aos trabalhos da graduação, mas não se acredita tanto neles (pela pressuposição de falta de experiência acadêmica, talvez) a ponto de dar-lhes um destaque maior. A julgar pela boa qualidade e desenvoltura de muitos trabalhos de alunos da graduação que tenho visto, esse cenário nem sempre se justifica.
No I COGITE, algumas boas surpresas que tivemos foram as apresentações dos graduandos do grupo (César, Beatrice e Ismael), integrados ao grupo de discussão e com trabalhos consistentes, o que é um indício de que estudantes de graduação podem, sim, apresentar trabalhos bacanas e com uma qualidade na apresentação equiparável a de apresentadores mais experientes e, portanto, são merecedores de um espaço de destaque também. Além disso, é bem provável que dar maior relevância à divulgação de boas produções dos graduandos incentive outros graduandos a também produzirem.
Grande parte das oportunidades de apresentação de trabalho para os alunos de graduação vem da participação deles em projetos de iniciação científica, o que não deixa de ser uma ótima oportunidade, mas muitas vezes se restringe a isso. Portanto, o incentivo à pesquisa corre o risco de ficar limitado a alguns alunos que conseguem entrar no PIBIC, não abrangendo muitos alunos da graduação. Para tentar diminuir essa falta de destaque aos graduandos nos congressos, podemos pensar em novas formas de apresentação, que não restrinjam a possibilidade de participação apenas a alunos PIBIC e que incentivem os outros alunos a também produzirem bons trabalhos e divulgá-los, tais como: reduzir o número de pôsteres por sessão; colocá-los como comunicações individuais, isto é, dispor os pôsteres em uma sala e solicitar uma breve apresentação do graduando, fazendo, em seguida, com que cada graduando fique à disposição para receber as perguntas e debater seu trabalho; ou apenas dispor de um horário específico que favoreça a participação dos congressistas nas apresentações dos estudantes.
Apesar de sabermos que é difícil beneficiar todos em um congresso, dando tempo suficiente para debates e exposições de ideias de forma equivalente para os participantes, acredito que não é muito interessante dar continuidade a essa tradição de desprestigio aos trabalhos de graduandos, considerando que, de certa forma, o futuro da divulgação científica em cada área do conhecimento depende deles. Me parece, então, muito mais eficaz formar bons pesquisadores e bons divulgadores científicos desde cedo, ainda na graduação, não é mesmo?
25 Novembro 2011
Você como educador o que pensa a respeito???
Um juiz federal derrubou a norma que estabelecia idade mínima para a criança ingressar no primeiro ano do ensino fundamental e desencadeou uma polêmica entre educadores e pais de alunos.
Veja a reportagem divulgada ontem no Jornal Nacional!!!
Márcio precisou entrar na Justiça pra fazer a matrícula do filho no 1º ano do ensino fundamental. Miguel só vai completar 6 anos em maio do ano que vem, dois meses depois da data limite definida pelo Conselho Nacional de Educação. O relatório de desempenho fornecido pela escola foi o que ajudou a convencer o juiz.
“Ele já sabia ler e escrever, somar e subtrair, inclusive consta isso no relatório”, conta Márcio.
A regra foi suspensa em todo o Brasil por uma decisão da Justiça Federal de Pernambuco. A liminar deixa para a escola a decisão de aceitar ou não a matrícula antes da hora. Segundo o juiz, as escolas, principalmente as particulares, dispõem de recursos pedagógicos suficientes para impedir que crianças que ainda não estejam preparadas entrem no ensino fundamental.
O sindicato dos donos de escola teme a pressão das famílias de alunos para aceitar a matrícula em idade fora das normas.
O educador Carlos Roberto Jamil Cury acha que não vale correr o risco. Para ele, antecipar o processo educativo pode levar a problemas de aprendizado mais tarde: “Isto pode estar em descompasso com a maturidade social, com a maturidade psicológica e, sobretudo, com a maturidade emocional. Esta maturidade você adquire muito mais através do jogo, da expressão artística, do que simplesmente você ficar estressando a criança somente com ler, escrever, contar, multiplicar”, explica.
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria Do Pilar Lacerda, a medida judicial não forçará a mudança nas regras: “Não muda porque mais de 80% dos sistemas já se organizaram, já fizeram seu planejamento, já estão fazendo as matrículas e eles já estão seguindo essa orientação. Se a gente tiver alguma mudança, serão mudanças pontuais e muito localizadas”.
O MEC informou que vai recorrer da decisão judicial.
20 Novembro 2011
Slides das apresentações do I COGITE!
Gêneros jornalísticos na mídia
UMA SOCIOHISTÓRIA COM GÊNEROS DE DISCURSO: ESTUDO DE CASO COM EDITORIAL E NOTÍCIA NA IMPRENSA PIAUIENSE - Digenário Pessoa de Sousa (UEMA)
GÊNERO ENTREVISTA DE EMPREGO: UM GÊNERO MARCADO PELA FORMA? - Lafity dos Santos-Silva (IDB/UEMA)
10% dos professores no país fazem 'bico'
10% dos professores no país fazem 'bico'
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
ELTON BEZERRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Semanalmente, a professora de ciências Sonia Maria de Barros Cardoso, 52, leciona 32 horas em duas escolas públicas no Rio. Seu salário é de R$ 1.800.
Para complementar, vende cosméticos, o que lhe rende R$ 1.000 mensais em oito horas semanais. "Em datas comemorativas, chega a ficar igual ao que ganho no magistério", afirma a docente. Como Sonia, outros 266 mil professores da educação básica do país possuem uma segunda ocupação fora do ensino, um "bico", aponta estudo apresentado no mês passado pelos pesquisadores da USP Thiago Alves e José Marcelino de Rezende Pinto.
O número representa 10,5% do magistério nacional, índice bem acima do da população brasileira (3,5% têm uma segunda ocupação). O estudo usa a Pnad-IBGE e o Censo Escolar-MEC, ambos de 2009, e abrange as redes privada e pública. Alguns dos mais frequentes "bicos" dos docentes são os de vendedores em lojas e os de funcionários em serviços de embelezamento.
Segundo a pesquisa da USP, os professores recorrem mais à segunda ocupação do que os padeiros, os corretores de imóveis e os PMs.
POLÊMICA SALARIAL
Para os autores do estudo, a maior incidência do "bico" entre os professores está relacionada aos baixos salários. A média salarial dos docentes do ensino fundamental, segundo a pesquisa (entre R$ 1.454 e R$ 1.603 à época), é inferior ao que ganham, em média, corretores de seguro (R$ 1.997) e caixas de bancos (R$ 1.709). "O professor, com isso, é obrigado a despender energia em ações que não têm a ver com aulas", diz Alves.
Para alguns especialistas, no entanto, a questão não é tão simples.
"Os salários não são uma maravilha, mas, se comparados à média da população, os professores não estão morrendo de fome", afirma Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. "Sempre que há concurso para contratação de professores para as redes públicas há uma grande concorrência. Se a profissão fosse tão ruim, não haveria fila", diz Samuel Pessoa, da FGV.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0711201110.htm




